Visibilidade seletiva: a influência da heterossexualidade compulsória nos cuidados em saúde de homens gays e mulheres lésbicas e bissexuais

Murilo dos Santos Moscheta, Daniele da Silva Fébole, Bárbara Anzolin

Resumo


O presente texto analisa o modo como descrições normativas de gênero interferem na visibilidade ou invisibilidade de aspectos do processo saúde-doença-cuidado na relação entre profissionais de saúde e usuários homens gays e usuárias mulheres lésbicas e bissexuais. Os dados analisados foram produzidos por meio de oficinas para homens gays ou mulheres lésbicas e bissexuais que relataram suas experiências de assistência em saúde. A discussão busca destacar aquilo que se torna visível e invisível nas relações de cuidado e como isso é regulado por descrições normativas de gênero e noções culturalmente naturalizadas de sexualidade. Quanto aos homens gays apontamos a construção de um cuidado pautado em uma hipervisibilidade de sua sexualidade associando-a às DSTs. Ao contrário, a sexualidade de mulheres lésbicas e bissexuais é  invisibilizada, consistentemente negligenciada e abordada apenas em relação a procriação. Esta diferença na distribuição da visibilidade ou invisibilidade é entendida como um efeito da heterossexualidade compulsória e ilustra o modo como as descrições normativas de gênero operam na regulação do gênero e da sexualidade no contexto das práticas em saúde. Isso produz barreiras significativas no acesso ao cuidado e na qualidade da assistência oferecida a pessoas gays, lésbicas e bissexuais.


Palavras-chave


Gênero; Heterossexualidade compulsória; homossexualidade; saúde.

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.