Inclusão e o desafio de criar formas de investigação colaborativas – um relato de experiência (Inclusion and the challenge to create colaborative forms of investigation: an experience report)

Murilo dos Santos Moscheta, Manoel Antônio dos Santos

Resumo


Estigmatização, negligência e exclusão marcam a história das práticas de cuidados em saúde oferecidas a população de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgênero. A inclusão destes pacientes constitui-se como uma tarefa e desafio para os serviços de saúde preocupados em desenvolver estratégias de cuidado sensíveis a suas necessidades e calcadas no princípio da equidade. No primeiro semestre de 2009, desenvolvemos em colaboração com um centro de saúde-escola de uma cidade de médio porte do Estado de São Paulo uma pesquisa cujo objetivo era investigar os desafios e possibilidades do atendimento a pacientes LGBTs no contexto da saúde pública no Brasil. A pesquisa apresenta um desenho metodológico qualitativo e situa no uso do dispositivo grupal o foco privilegiado para acesso as construções discursivas que se criam e se sustentam nas interações entre os participantes. Utiliza uma perspectiva colaborativa que tenta problematizar a posição do pesquisador e a autoridade do discurso científico. Neste texto, apresentamos e refletimos sobre o relato de uma situação vivida no processo de pesquisa. Nosso objetivo é refletir sobre os desafios do desenvolvimento de metodologias de pesquisa colaborativas, nas quais tanto o conteúdo da pesquisa, quanto a maneira de investigar são co-produzidos na interação entre pesquisador e participantes. A disposição do pesquisador em utilizar os eventos inesperados, e muita vezes constrangedores que surgem ao longo do processo da pesquisa como oportunidades de construção conjunta de formas de investigação e aprendizado parece fundamental. No relato que apresentamos aqui, o processo de incluir a voz de um participante na pesquisa gerou condições que permitiram-nos pensar sobre os desafios da inclusão dos pacientes LGBTs nos serviços de saúde.

 

ABSTRACT - The history of healthcare practices toward lesbian, gay, bisexual and transgender people is marked by stigmatization, negligence and exclusion. The inclusion of these patients is a task and a challenge to healthcare services committed to developing strategies of sensitive care that aims at equity. In the first semester of 2009, we developed a research in collaboration with a healthcare center of a mid-size city in São Paulo State, that aimed at investigating the challenges and possibilities of LGBT people public health care in Brazil. It is a qualitative research that locates in the group strategy its privileged access to discursive constructions that are generated and sustained in the interactions among the participants. We used a collaborative perspective that tries to question the position of the researcher and the authority of scientific discourse. In this text, we present and reflect upon a report of a situation from the research process. We focus on reflecting the challenges in developing collaborative research methods, in which the content, as well as the format of the investigation, is co-created in the interaction between researcher and participants. The researcher’s disposition to utilize the unexpected, and sometimes embarrassing, events in the research process as opportunities to conjoint construction of new forms of investigation seems to be fundamental. In the report presented here, the process to include one participant’s voice in the research generated the conditions that allowed us to think about the challenges of including GLBT clients in the healthcare service.

Keywords: Gender and Health; Primary Health Care; Sexuality


Palavras-chave


Gênero e Saúde; Atenção Primária à Saúde; Sexualidade

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.