As representações do familiar cuidador em relação ao cuidado em saúde mental

isabel cristina carniel, Alessandra Priscila Moreira, Fernanda Gonçalves Neto, Lidiane Gonçalves, Ludmila Antônio, Lígia Vitrani

Resumo


 A concepção de transtorno mental passou por várias transformações, tanto em termos de nomenclatura como em compreensão social, acadêmica e de cuidados. Na atualidade, tratando-se sobre a questão da desospitalização, aspecto fundamental da reforma psiquiátrica, defende-se uma nova forma de pensar o processo saúde-doença mental e cuidado no adoecimento. Como pontuam alguns autores, fortalece-se a substituição da concepção de doença pela de existência-sofrimento, na valorização do cuidar e na adoção do território como espaço social de busca constante do pleno exercício de cidadania. Deste modo, tem sido colocada em pauta a presença de um cuidador para acompanhar e, também exercer um papel importante na reinserção social do paciente; o que teve destaque, pois a questão da socialização do portador de transtorno mental,como parte da assistência ao paciente, vem sendo considerada como um avanço no modo de cuidar. Assim, tornando-se necessário compreender o impacto que a desospitalização tem sobre essa família e, principalmente, sobre o cuidador que, muitas vezes, recebe esse papel sem ter tido uma preparação para exercê-lo, o objetivo deste trabalho visou conhecer a rotina do familiar cuidador sob seu próprio ponto de vista, investigando se há um impacto na vida do mesmo. Buscou-se investigar como a desospitalização é vivenciada pelo familiar responsável e identificar quais as influências na vida da família com o retorno do integrante hospitalizado para a casa. Conclui-se que o respaldo oferecido pelo sistema de saúde mental torna-se muito importante à medida que a o cuidador assume esse papel sem ter um prévio preparo para tal. Assim, a educação para o cuidado em saúde mental torna-se necessária, uma vez que a falta de informação pode contribuir para um aumento nas dificuldades vivenciadas


Abstract: Objective: The concept of mental disorder, has undergone several transformations, both in naming level and in social understanding, academic and care. Today, it comes to the question of deinstitutionalization, important aspect of psychiatric reform, it is argued a new way of thinking about mental health-disease process and care in illness. How to score some authors, strengthens the replacement idea of disease by the existence-suffering, in appreciation of the care and adoption of the territory as a social space of constant pursuit of full exercise of citizenship. Thus, it has been put on the agenda the presence of a caregiver to monitor and also play an important role in the social reintegration of the patient; what stood out, as the issue of socialization of mental patients as part of patient care, has been considered as a breakthrough in care mode. Thus making it necessary to understand the impact that deinstitutionalization has on this family and especially on the caregiver that often gets this role without having a preparation to exercise it, the aim of this study aimed to know the routine family caregiver under his own point of view, investigating whether there is an impact in the life of it. We sought to investigate how the deinstitutionalization is experienced by the responsible family and identify the influences in family life with the return of integral hospitalized for home. It follows that the support offered by the mental health system becomes very important as the caregiver assumes this role without prior preparation for this. Thus, education for mental health care becomes necessary, since the lack of information may contribute to an increase in experienced difficulties.

Keywords: caregivers; mental health; patient discharge.



Palavras-chave


cuidadores; saúde mental; alta do paciente

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.