Ser saudável: representações de trabalhadores da estratégia saúde da família [Being healthy: representations of family health program workers]

Jussara Gue Martini, Amanda Chelski da Motta, Joana de Oliveira Werlang, Letícia Colossi, Renato José Alves de Figueiredo

Resumo


Estudo descritivo com abordagem qualitativa cujo objetivo foi conhecer as representações sobre ser saudável dos trabalhadores da Estratégia de Saúde da Família (ESF), fundamentado na Teoria das Representações Sociais. Participaram do estudo 20 profissionais das equipes básicas da ESF (médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde) de quatro Centros de Saúde de uma Regional do município de Florianópolis. As informações foram coletadas através de entrevista semi-estruturada e no tratamento dos dados utilizou-se a Análise de Conteúdo. As Representações Sociais dos trabalhadores da ESF sobre ser saudável e sobre como lidam com o sofrimento, seu e do outro, se apresentaram em dois campos representacionais: o trabalho na ESF representado como “uma fabrica de loucos” e o ser saudável representado como “aprender a lidar com o sofrimento, seu e do outro”. Na primeira representação destacam-se as relações e condições de trabalho vivenciadas e a falta de ações de suporte à saúde dos trabalhadores como geradoras de sofrimento; e na segunda, a necessidade da busca do equilíbrio ao lidar com o seu sofrimento e do outro e ao definir formas de “cuidado de si”. Espera-se que as reflexões desencadeadas pelos resultados apresentados nesta investigação contribuam para mobilizar o conjunto dos atores envolvidos (equipes de Saúde da Família e gestores municipais) para a adoção de medidas que além das condições materiais, das relações entre os profissionais e destes com os gestores, propiciem um ambiente de trabalho saudável.

 

ABSTRACT - The objective of this qualitative descriptive study was to know the representations of being healthy from Family Health Program workers, based on Social Representation Theory. 20 professionals from Family Health Program basic staff (physicians, nurses, surgeons dentists, licensed practical nurses and community health agents) of four Health Centers from one region of Florianópolis participated in the study. Semi-structured interviews were conducted to collect information, and Content Analysis was used on data treatment. Social Representations of Family Health Program workers of being healthy and how they cope with their own suffering and the suffering of others, displayed in two fields: the work at Family Health Program represented as an “insane factory” and being healthy represented as “to learn coping with their own suffering and the suffering of others”. In the first representation , the relationships and the conditions of work experienced and the lack of support actions concerning the workers health are stressed as a source of suffering; in the second one, the need of keep a balance when coping with their own suffering and the suffering of others, and when outlining ways of “selfcare”. We hope that the reflections provoked by the results presented in this research contribute to mobilize the conjunct of performers (Family Health staff and district managers) involved in the adoption of policies to oportunize a healthy work environment, beyond material condittions and relationships among and between professionals and managers .

Keywords: Worker health; Basic Care; Representation


Palavras-chave


Saúde do Trabalhador; Atenção Básica; Representações

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.