A influência do uso de substâncias psicoativas nos cuidados maternos segundo mães usuárias: um estudo qualitativo

Fábio de Carvalho Mastroianni, Eloísi Balsaneli, Júlia Nogueira Palamin

Resumo


O uso de substâncias psicoativas vem se tornando cada vez mais frequente e no Brasil, entre a população feminina, tem ocorrido um considerável aumento deste consumo. O estudo buscou conhecer a percepção de mães usuárias de substâncias psicoativas sobre o exercício dos cuidados maternos, visando analisar se elas percebem alguma influência deste uso no cuidado com os filhos. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, de natureza qualitativa, que contou com a participação de 7 (sete) mulheres-mães com idade superior a dezoito anos diagnosticadas com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas. O contato com esta população foi intermediado pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad) de um município localizado no interior do estado de São Paulo. Foram realizadas entrevistas individuais e os dados coletados submetidos à técnica de análise de conteúdo. Os resultados apontam que as participantes associam o uso destas substâncias a momentos difíceis de suas vidas e que a percepção sobre a relação entre o uso e o exercício dos cuidados maternos não é homogênea. Conclui-se que entre os aspectos que influenciam a percepção, a continuidade ou não do uso se mostra relevante, pois àquelas que se descreveram abstinentes apresentaram percepção mais integrada sobre os riscos destas práticas no cuidado com os filhos se comparadas às que afirmaram continuar usando. O desejo de interromper o uso também se relaciona com o papel materno, na medida em que os filhos são citados como a principal fonte de motivação para a busca de tratamento.

Palavras-chave


Cuidados maternos; Substâncias psicoativas; Pesquisa qualitativa.

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.