Abordagem Construcionista Social da Saúde Ambiental para a Atenção Básica: Construindo espaços de inteligibilidade

Fábio Luiz Quandt

Resumo


O cuidado a saúde coletiva, preconizado pelo Estado nacional, tem como foco a organização da rede assistencial sob o modelo da Atenção Básica (AB). Com uma equipe multiprofissional nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a intenção é deixar a população cada dia mais assistida pelas ações e pelos serviços de saúde, construindo um ambiente relacional integrador entre usuários e profissionais da saúde. Neste contexto, a Saúde Ambiental, enquanto ações e políticas normativas, trabalhada hoje no Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS), produzem efeitos deletérios na atenção à saúde do usuário pela equipe da UBS, como: dicotomia entre usuário e seu ambiente, foco somente no cuidado biomédico, fragmentação da equipe no processo do trabalho, desempoderamento do usuário, planejamento territorial da equipe alienado aos determinantes socioambientais da doença, vitimização psicológica do usuário frente a sua condição de vida. Este cenário acontece pelo fato que o conhecimento construído sobre a saúde ambiental promove a naturalização do meio ambiente como algo desvinculado das relações humanas. Ou seja, o ambiente está posto como algo entre o ser o espaço em que ele se desenvolve. Porém, colocamos sobre outro aspecto, o espaço agora é território, ocupado, com contratos sociais que organizam a vida do ser, implicando a ele ações políticas, culturais e de sobrevivência especificas ao contexto territorial em que se vive. Portanto, a saúde ambiental para os cuidados da AB deve considerar as relações entre humanos e como eles constroem o seu ambiente, legitimando o cuidado em redes assistenciais e a multiplicidade terapêutica.

Palavras-chave


Saúde Coletiva; Saúde Ambiental; Atenção Básica; Construcionismo Social.

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.