Mudanças na cultura do cuidado em saúde mental e as repercussões para adesão ao tratamento

Tiago Jordão, Eva França Pergentino

Resumo


A atenção psiquiátrica evoluiu ao longo do tempo e alterou não apenas suas abordagens ao sujeito que se trata, mas a própria concepção do mesmo. Essa evolução trouxe consigo o avanço na terapêutica, que passou a incorporar outros saberes além dos biológicos. Os modelos tradicionais de instituição foram também questionados e o movimento de Reforma Psiquiátrica deu origem a modalidades alternativas de tratamento que aproximaram o doente mental da sociedade e da família. No Brasil, o movimento se traduziu na instituição dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e uma nova condução de tratamento foi iniciada na rede pública, demandando alterações na postura do profissional ante o usuário do serviço. O objetivo desse trabalho foi analisar qualitativamente as repercussões dessa nova cultura humanizada da saúde mental nos níveis de adesão ao tratamento do paciente em comparação com os antigos hospitais psiquiátricos. Foram analisados documentos oficiais e bibliografia da área e aplicado um grupo focal com pacientes de um CAPS para obtenção dos dados. Os resultados apontam para a conquista de maior autonomia, ampliação nos níveis de informação sobre o adoecimento e tratamento e resgate da sensação de dignidade. O estudo também apontou para a dependência do sujeito ao serviço, indicando uma possível distância entre o CAPS e o meio social. A pesquisa foi submetida à avaliação do Conselho de Ética da UNIFACS (Salvador-BA) via plataforma virtual do CONEP/CNPQ (Plataforma Brasil) e foi liberado para a execução em 03/09/2012 como número 138.391(CAAE 02026212.2.0000.5033).


Palavras-chave


Reforma psiquiátrica; Adesão; Cultura assistencial; Grupo focal; CAPS.

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.