O trabalho na educação infantil: um enfoque ergonômico

Clarissa Stefani Teixeira, Rogê Roberto Foschi, Érico Felden Pereira

Resumo


O presente estudo buscou verificar as condições ergonômicas em ambiente escolar e associar as queixas musculoesqueléticas com as posturas assumidas durante as atividades de trabalho. O estudo foi realizado em uma escola de educação infantil da região de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil. O trabalho foi focado em uma professora do gênero feminino – graduada em pedagogia – com idade de 47 anos e tempo de atuação profissional, neste contexto de trabalho, de 18 anos. Os principais problemas associados ao trabalho da educação infantil dizem respeito aos mobiliários e equipamentos serem projetados para a faixa antropométrica de alunos de quatro a sete anos de idade o que acaba prejudicando o correto posicionamento corporal da professora. Além disso, mesmo que o trabalho seja realizado em pé, sentado ou agachado, as posturas observadas não favorecem as estruturas osteomioarticulares. Pois, na maioria das vezes, foram encontradas posições em inconformidade com a literatura. Sugere-se que ações corretivas e preventivas sejam aplicadas no contexto da atividade laboral de forma a reduzir ou ainda minimizar as queixas de dor/desconforto relatadas pela professora.


Palavras-chave


Ergonomia; Educação infantil; Queixas musculoesqueléticas

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